ARTIGOS
NOSTRADAMUS, BRASIL E CRIMINALIDADE
ROBERTO DELMANTO
Nostradamus previu a vinda de três anticristos. O primeiro teria sido Napoleão Bonaparte, cuja ambição de conquistar a Europa custou dois milhões de vidas e quatorze anos de guerra (cf. John Hogue, Nostradamus e o Milênio, ed. Nova Fronteira, pág. 124). O segundo é apontado como tendo sido Hitler, autor do holocausto judeu, responsável por cerca de cinqüenta milhões de mortes e uma guerra quase global que durou seis anos (ob. e pág. cits.). Nostradamus costumava jogar com as letras das palavras e chamou-o de Hister, nome que incrivelmente se assemelha ao do ditador nazista (ob. cit., pág. 82). Quanto ao terceiro, ainda desconhecido, Nostradamus o denominou Mabus ou Mabbus (idem, págs. 124 e 135).
Após o atentado de 11 de setembro passado, que chocou o mundo, os Estados Unidos, única superpotência da atualidade, obcecados em combater o terrorismo, vêm adotando uma posição de grande beligerância. O magazine mensal do jornal Le Monde, o mais importante da França, em seu número 16 (março último), na matéria de capa, chama esse país de “L’Amérique Guerrière” (A América Guerreira).
Pois bem: peguemos o nome de seu atual presidente, George W. Bush. Invertamos o W de seu nome do meio e teremos a letra M, que no alfabeto inglês se pronuncia “éme”. Juntando-se essa letra M ao sobrenome Bush, teremos a palavra (ou som) Mbush, que guarda enorme semelhança com Mabbus.
Espero que tudo não passe de uma grande coincidência. Todavia, uma coisa é certa: os países desenvolvidos, capitaneados pela nação norte-americana, não estão preocupados em enfrentar aquele que seria o maior desafio da nossa geração: erradicar a miséria absoluta existente em nosso planeta. Ao contrário, no auge do conflito palestino-israelense, ainda não terminada a intervenção aliada no Afeganistão, já cogitam os Estados Unidos de uma guerra contra o Iraque. Para tanto, afastam, sem qualquer reação do Itamarati, o diplomata brasileiro que, diretor de importante órgão da ONU proibidor de armas químicas, tentava atrair para o seu seio aquele país asiático. Ao mesmo tempo, como revelado pelo jornal “Los Angeles Time” e confirmado oficialmente, Bush ordenou ao Pentágono que realizasse um estudo sobre o eventual emprego de armas atômicas, enfemisticamente chamadas de “pequenas”, contra sete países, inclusive a Rússia e a China, hoje seus aliados no combate ao terrorismo. Como escreveu Chesterton, “o mais terrível do erro é que ele tem heróis sinceros”.
Portanto, não deve o Brasil contar com a ajuda externa para combater a miséria absoluta que assola considerável parcela de sua população.
Não devemos nos envergonhar de ser um país pobre, mas sim de ser um país miserável. Na pobreza pode haver dignidade, na miséria não. Assim como ocorre com as pessoas, um país rico não é necessariamente um país feliz. Diferentemente, uma nação pobre, mas sem grandes desníveis sociais, pode sê-lo.
No Egito, país que visitei recentemente, há muita pobreza, mas não miséria. Uma grande reforma agrária feita em meados do século passado por Nasser, primeiro presidente revolucionário, deu a cada camponês um pedaço de terra. O povo é altivo e, ao contrário de Paris, a mais bela das cidades, por onde regressei, não se vê um só mendigo nas ruas. Nelas também não se encontra qualquer menor abandonado.
O Brasil deve voltar-se para si mesmo. No campo externo, manter uma de suas mas belas tradições: a de um país pacífico, distante das guerras, onde os imigrantes de todas as partes se integram e se irmanam. No campo interno, o futuro governo deveria ter como prioridade maior, senão única, a erradicação da miséria absoluta em nosso meio. O que é perfeitamente possível, bastando prever-se no futuro orçamento uma grande verba para a Ação Social, onde, na esteira do que vem propondo o Senador Suplicy, se garantiria a cada miserável brasileiro um salário mínimo suplementar. Isto dinamizaria o mercado interno, pela entrada nele de uma nova parcela da população, e diminuiria sensivelmente a criminalidade, preocupação maior de todos nós, da qual a miséria, com todas suas nefastas conseqüências, é, sem dúvida, a maior causa.
Esta seria a “Grande Batalha” a ser empreendida pelo Brasil, como exemplo para o mundo, e para a qual, facilmente, se mobilizaria toda a sociedade brasileira, do mais rico ao mais pobre. Além de alcançarmos um maior equilíbrio social, pela melhoria de vida da nossa população mais carente, teríamos, como povo e como nação, nos desenvolvido espiritualmente, ao ajudar aqueles a quem Eduardo Galeano, em seu El Libro de los Abrazos, 1989, pág. 5, com imensa compaixão, chamou de “filhos de ninguém, donos de nada”, que “não são seres humanos, senão recursos humanos”...
Artigo publicado no jornal Tribuna do Direito, São Paulo, edição de junho de 2002, p. 30.
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